Escrever o Próprio Obituário: Um Exercício de Reflexão
Não é para publicar. É para se perguntar, com honestidade, o que gostaria que se dissesse de si — e o que ainda tem tempo de mudar antes que isso seja verdade.
Não é para publicar — é um exercício de reflexão: escrever, hoje, como gostaria que a sua vida fosse resumida, e usar isso para perceber a distância entre quem é e quem gostaria de ser. Perguntas para começar, como usar a diferença entre a realidade e o desejo, e uma versão mais leve para quem achar o exercício completo demasiado.
Este não é o obituário que alguém vai ler no jornal. É um exercício diferente — escrever, agora, como gostaria que a sua vida fosse resumida, e usar essa reflexão para perceber o que ainda pode fazer diferente.
Pensar na própria morte, de forma estruturada, não é sinal de tristeza — é uma forma comum, e bem documentada, de clarear o que realmente importa. Não precisa de estar doente nem de ter idade avançada para o fazer.
Como fazer o exercício
- Escreva no futuro, como se já tivesse morrido — na terceira pessoa, tal como um obituário real.
- Comece pelo essencial, tal como um obituário faria: quem era, o que fazia, quem deixava.
- Continue com o que gostaria que se dissesse sobre o seu carácter, não só os factos.
- Não se limite ao que já é verdade. Escreva também o que gostaria que fosse — é aí que o exercício se torna útil.
Perguntas que ajudam a começar
- O que gostaria que as pessoas dissessem sobre como as tratava?
- Que impacto gostaria de ter tido, mesmo pequeno, na vida de alguém?
- Do que é que se orgulha, e ainda não disse a ninguém?
- Se morresse amanhã, o que ficaria por dizer, ou por fazer?
- Que qualidade gostaria que fosse a primeira a vir à cabeça de quem pensasse em si?
A diferença entre o que já é verdade e o que gostaria que fosse
Depois de escrever, releia. Onde há uma distância clara entre o que escreveu e a vida que está de facto a viver, tem duas escolhas: aceitar essa distância, ou fazer algo para a reduzir enquanto ainda tem tempo. Nenhuma das duas é errada — mas só pode escolher conscientemente se souber que a distância existe.
Não precisa de mostrar a ninguém
Este exercício não é para publicar nem partilhar — a menos que queira. O valor está na reflexão, não no resultado final. Pode escrever, guardar, e nunca mais voltar a ele, ou pode revisitá-lo anualmente para ver o que mudou.
Uma versão mais leve: uma frase
Se um obituário completo parecer demasiado, experimente uma versão mais curta: uma única frase que gostaria que resumisse a sua vida. É mais fácil de começar, e muitas vezes revela o mesmo tipo de clareza.
Fazer isto em grupo, ou sozinho
Pode ser um exercício privado, ou uma actividade partilhada — algumas famílias fazem-no em conjunto, cada um escrevendo o seu, e depois (se quiserem) partilhando entre si. Não é preciso partilhar para que o exercício tenha valor.
Relacionado, mas diferente: destralhar a vida
Muita gente que faz este exercício de reflexão acaba a pensar também no lado físico — os objectos, as coisas acumuladas ao longo de uma vida. Se isso lhe soar familiar, veja döstädning, a arte sueca de destralhar antes de morrer.
Ligação a outras formas de reflexão sobre o fim
Se este exercício lhe interessou, pode gostar de explorar o tema mais amplamente — veja porque conversar sobre o fim diminui a ansiedade, que trata da mesma lógica a um nível mais geral.
Uma extensão natural: cartas para o futuro
Se gostou deste exercício, pode querer ir mais longe e escrever directamente para as pessoas que ama, não só sobre si próprio. Veja cartas para o futuro — uma forma diferente, mas relacionada, de reflectir sobre o que fica.
Se precisar de ajuda para começar a conversa com a família
Este exercício pode também abrir espaço para conversas mais amplas sobre vontades e legado. Veja como falar sobre estas coisas em família, se for esse o próximo passo natural.