Terça-feira, 15 de setembro de 2026
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Doar o Corpo à Ciência em Portugal: Como Fazer

Seis faculdades de medicina aceitam doações. O processo começa em vida, com uma declaração reconhecida por notário — e é compatível com a doação de órgãos.

Foto: Pedro Silva / Pexels

Seis faculdades de medicina em Portugal aceitam doações de corpo para ensino e investigação — Lisboa, Porto, Coimbra, NOVA e Beira Interior. O processo passa por uma declaração reconhecida por notário, feita em vida, e é compatível com a doação de órgãos. O passo mais importante: garantir que a família sabe da decisão, para que a instituição seja avisada a tempo.

Antes de continuar

Este guia reflete o Decreto-Lei n.º 274/99, de 22 de julho, e a Lei n.º 12/99, de 15 de março, em vigor à data de publicação. Confirme sempre directamente com a instituição escolhida, já que a capacidade de aceitar doações pode variar ao longo do tempo.

Doar o corpo à ciência é um acto cívico de grande generosidade — sem ele, não há forma de formar médicos ou avançar a investigação anatómica. Em Portugal, o processo é simples, gratuito, e começa em vida.

Quem pode doar

Qualquer pessoa maior de idade, em plenas faculdades mentais, sem restrições de idade máxima, género, ou características anatómicas.

Onde doar: as seis instituições

InstituiçãoLocalização
Faculdade de Medicina da Universidade de LisboaLisboa
NOVA Medical SchoolLisboa
Faculdade de Medicina da Universidade do PortoPorto
Faculdade de Medicina da Universidade de CoimbraCoimbra
Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira InteriorCovilhã
Contacte directamente a instituição mais próxima — os contactos e formulários estão disponíveis nos respectivos sites.

Como funciona, passo a passo

  1. Contacte a instituição escolhida — presencialmente, por telefone, ou por email.
  2. Preencha a declaração de doação, disponível online ou entregue presencialmente pela instituição.
  3. Reconheça a assinatura por notário — ou, em alternativa, entregue a declaração pessoalmente, apresentando o Cartão de Cidadão, o que dispensa o reconhecimento notarial.
  4. Envie o original por correio, ou entregue directamente.
  5. Receba confirmação — normalmente uma carta de agradecimento, e um documento com os procedimentos que a família deve seguir após o falecimento.

A parte mais importante: avisar a família

A decisão só funciona se alguém souber

Depois de tratar da declaração, é essencial informar a família, e o centro de saúde em caso de hospitalização — são eles que ficam encarregados de avisar imediatamente a instituição, assim que o falecimento ocorrer. Uma declaração perfeita, guardada numa gaveta sem que ninguém saiba, não serve de nada no momento certo.

Veja como organizar um dossiê com esta e outras vontades, para garantir que a informação chega a quem precisa dela.

É compatível com a doação de órgãos

Ao contrário do que muitas vezes se pensa, é possível fazer as duas coisas. Quem for potencial dador de órgãos para transplante e também quiser doar o corpo à ciência deve deixar escrito, na sua declaração, que — depois de os órgãos serem usados para transplante — o resto do corpo deve, na mesma, ser entregue ao instituto de anatomia. Veja doação de órgãos em Portugal para o enquadramento completo dessa decisão.

O que acontece ao corpo depois

É usado para ensino de anatomia a estudantes de medicina, e para investigação científica e técnica, contribuindo para o avanço de tratamentos médicos e cirúrgicos. A dissecção anatómica é, segundo quem lecciona nas faculdades portuguesas, insubstituível — modelos artificiais não reproduzem a variabilidade real do corpo humano.

Pode incluir na declaração, se quiser, o destino final do corpo depois de concluída a sua utilização científica — cremação ou enterro — consoante a sua preferência.

Considerações religiosas

Algumas tradições religiosas são por vezes apontadas como factor impeditivo desta decisão, embora várias reconheçam também o valor da doação. Se a questão for importante para si, vale a pena esclarecer directamente com um representante da sua comunidade de fé antes de decidir.

Nem sempre há aceitação imediata

A capacidade das faculdades para receber corpos varia ao longo do tempo, consoante obras, espaço disponível, e necessidades pedagógicas concretas. Já aconteceu, no passado, alguma instituição suspender temporariamente a aceitação de novas doações. Confirme sempre, no momento, se a instituição está a aceitar — mas mantenha a intenção registada, porque normalmente os pedidos são retomados assim que a capacidade o permite.

Uma decisão pessoal, a comunicar com clareza

Seja qual for a decisão sobre o destino do próprio corpo, deve ser respeitada por quem for mais próximo. Se ainda não teve esta conversa com a família, veja como abrir este tipo de conversa.

Perguntas frequentes

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